MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A presidenta na ditadura

                                                                   Dilma do Fuzil
 
30/06 - A presidenta na ditadura

 

 
O que não se faz para conseguir audiência?
Após a matéria abaixo, leia o comentário do site:
A presidenta na Ditadura
Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff, revela ações guerrilheiras em novela do SBT
Por Pedro Landim
Rio - A série de depoimentos de ex-presos políticos que lutaram contra a Ditadura, iniciativa elogiada na novela ‘Amor e Revolução’, do SBT, ganha capítulos contundentes na próxima semana.
Enquanto o autor da trama, Tiago Santiago, planeja ligar para a presidenta Dilma e tentar o testemunho mais aguardado, o advogado Carlos Araújo, ex-marido e pai da filha de Dilma, vai falar em cinco capítulos sobre suas ações guerrilheiras, torturas sofridas e a relação com a presidenta da República.
“Ele coloca a Dilma numa posição de planejamento das ações e narra o assalto que fez ao cofre com dinheiro do político Adhemar de Barros. Estou curioso para ver no ar”, diz Tiago, o autor da novela.
Carlos vai aparecer pela primeira vez na tela após o capítulo de segunda-feira, em que está prevista a cena na qual Nina (Patrícia Dejesus) e Padre Inácio (Pedro Lemos) fazem sexo na sacristia. E começará falando da relação de companheirismo com Dilma, da felicidade pela presidenta não ter ficado com sequelas após as torturas e de ações conjuntas em bancos e quartéis para obter dinheiro e armas.
“Praticamos ações sociais também: pegávamos caminhões de carne na Baixada Fluminense e distribuíamos em favelas”, diz Carlos Araújo. Em seu depoimento, ele narra ainda sua tentativa de suicídio ao se jogar sob um carro.
Para Tiago, as falas de figuras importantes já trouxeram muitas revelações, nem todas com a devida repercussão. “O filho do presidente João Goulart disse que o pai foi envenenado, assassinado, e luta para exumar o corpo”, sublinha Tiago.
E fala sobre a negativa de Dilma em participar. “Já convidamos através de amigos e assessorias, e vou ligar pessoalmente. Mas entendo que ela esteja preocupada com o momento presente do País, que mantenha o distanciamento”, afirma.
Os bastidores dos ‘anos de chumbo’
Em trechos de seu depoimento, o ex-marido elogia a presidenta e diz que ambos se orgulham do que passaram juntos. “Sempre nos identificamos. O nosso bom companheirismo persiste até hoje. A Dilma sente muito orgulho do que fez. Ela não ficou com sequelas, felizmente. Entrou na cadeia nova e saiu nova”, diz Carlos.
E prossegue: “A Dilma não participou de nenhuma ação armada porque não era o setor dela. Nos orgulhamos do que fizemos, mas isso não quer dizer que somos desprovidos de visão crítica”.
E revela o roubo de US$ 2 milhões, dinheiro que é fruto de lavagem, de um cofre na casa de Ana Capriglione, amante de Adhemar de Barros. “Ana nunca pôde denunciar ninguém, é como se não tivesse existido. Como justificaria o dinheiro?”.
Observação do site www.averdadesufocada.com.br : Será que ele vai dar as mesmas declarações que deu ao Jornal  "Zero Hora"  de 20 de agosto de 1985, época em que Bete Mendes, de volta do Uruguai,  declarou ter sido torturada pelo Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra?
Carlos Franklin Paixão Araújo - "Max", líder da Var-Palmares, na tentativa de ajudar a então deputada Bete Mendes, que fazia parte da Inteligência da organização e tinha grande ligação com seu chefe, "Max" que, tentando ajudar a companheira, reforçando sua mentira , acabou desmentindo-a. Leia abaixo parte da entrevista:
" Eu era o único preso quando Brilhante Ustra assumiu dizendo que não haveria tortura. Disse que faria interrogatórios sem utilizar os métodos de tortura. Ele era metido a bonzinho. Nos primeiros dias, de fato, não houve torturas que eu saiba. Mas, lá por outubro , o Brilhante Ustra ficou fora uns dias , umas duas semanas. Daí, quando voltou, pelo fim do mês de outubro, as torturas voltaram com violência."
Detalhe, Bete Mendes foi presa em 29/09/1970 (dia em que o Coronel Ustra assumiu) e dia 16/10/1970 foi solta.
Pérsio Arida também  estava no DOI neste período, e diz que os comandantes não deixaram que lhe batessem (Rakudianai - revista Piauí). Foi enviado para o DOPS em 15/10/1970, período em que Carlos Franklin Paixão Araújo diz que Brilhante Ustra era metido a bonzinho.
Eles tentam se ajudar, mas acabam se contradizendo.
Como já dissemos, em outros comentários, mentir não é fácil!
Melhor seria, que ele fosse convocado para depor na "Comissão da Verdade"

 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A História nas mãos de um sacerdote da revolução

Lula e Fonteles 
A História nas mãos de um sacerdote da revolução

Bruno Braga

21 de novembro de 2012

Claudio Fonteles assumirá temporariamente a coordenação dos trabalhos da Comissão da Verdade [1]. Assim, o grupo que propôs a consagração de sua própria Hagiografia – uma “Hagiografia da inversão” [2] – agora estará sob a direção espiritual de um sacerdote da revolução.

Durante a guerrilha, o convento dos padres de Conceição do Araguaia era utilizado como base para transmissões clandestinas de rádio, que deveriam alcançar a Albânia. Porém, os militares localizaram este núcleo operacional e, com o desmonte do equipamento, inviabilizaram a comunicação. Um dos religiosos que estava no convento protestou veementemente contra a intervenção: era Claudio Fonteles [3].

Já que a Comissão da Verdade irá investigar a atividade das igrejas – a Católica e as protestantes – “no apoio ao golpe e na repressão e também no da redemocratização” [4], o Sr. Fonteles – um dos sacerdotes da revolução – tem o dever de exemplificar a virtude em um testemunho honesto e sincero. O que ele estava fazendo no convento de Conceição do Araguaia? O Sr. Fonteles se recolheu apenas para orar? Ele estava efetivamente realizando o voto de renúncia em favor do divino? Por que ele protestou contra a interrupção das transmissões de rádio para a Albânia? A intervenção inviabilizou o seu trabalho de catequização? Ou ela interromperia o seu – e o de outros – sacerdócio da revolução? O que faziam certos padres e religiosos neste convento durante a guerrilha do Araguaia? Suplicavam pela graça divina em favor do braço armado da revolução?

Claudio Fonteles integrou a AP (Ação Popular), o grupo terrorista que nasceu do movimento revolucionário que pretendia instrumentalizar a Igreja Católica. O “bem-aventurado Alípio” foi um dos membros ilustres da organização. Ele que, além de outras obras de caridade e comiseração, foi o mentor intelectual do atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes, em 1966 [5].

Com a proposta de redigir uma Hagiografia própria, a Comissão da Verdade poderia consagrar a Claudio Fonteles um lugar no altar da inversão. Não apenas por suas obras do passado – como a elevada e bendita atividade no convento de Conceição do Araguaia. Também pela autodivinização de um poder que hoje ele tem nas mãos: coordenar o grupo encarregado de reescrever – ou melhor, falsificar – a História. Poder para condenar até mesmo a Igreja que ele assaltou para promover a revolução. Mentira, traição e ocultamento: as virtudes do sacerdócio da inversão.

Referências.


[2]. BRAGA, Bruno. “Hagiografia da inversão” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/11/hagiografia-da-inversao.html].
[3]. Cf. o depoimento do Coronel Lício Maciel, “Guerrilha do Araguaia – Relato de um combatente”.

[4]. Cf. referência [2].

[5]. BRAGA, Bruno. “O bem-aventurado Alípio” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/11/o-bem-aventurado-alipio.html].

http://dershatten.blogspot.com.br/


Leia também:

Claudio Fonteles, o beato de pau oco

Ação Popular: terrorismo oriundo da Igreja Católica

 

O bem-aventurado Alípio.



Bruno Braga.


Como a “Comissão da Verdade” decidiu redigir a sua própria Hagiografia – uma Hagiografia da inversão [1] -, seria louvável que ela dedicasse ao bem-aventurado Alípio de Freitas um lugar no seu altar. Uma glória para o padre que abandonou a Igreja Católica e viveu a santidade do sacerdócio revolucionário. Entre as suas benditas obras está a autoria intelectual do atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes em 1966, no Recife.

Durante anos o autor desta obra de piedade e comiseração permaneceu desconhecido. O bem-aventurado Alípio, certamente, imbuído do espírito da renúncia, não a assumiu para evitar que o reconhecimento público excitasse a sua vaidade - o que macularia o ato de tamanha virtude. No entanto, o comunista Jacob Gorender acabou revelando o mentor do gesto de generosidade, que a Hagiografia da inversão consagra com a insígnia de “redemocratização”:

Membro da comissão militar dirigente nacional da AP, Alípio de Freitas encontrava-se em Recife em meados de 1966, quando se anunciou a visita do general Costa e Silva, em campanha farsesca de candidato presidencial pelo partido governista Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Por conta própria Alípio decidiu promover uma aplicação realista dos ensinamentos sobre a técnica de atentados (GORENDER, “Combate nas trevas”) (o destaque é meu).

O executor da ideia iluminada do sacerdote revolucionário foi um militante da AP (Ação Popular), que posteriormente transferiu-se para outra organização terrorista, a VAR-Palmares – o grupo do qual participou “Estela”, quer dizer, “Luíza”, ou melhor, “Patrícia”, “Wanda”, enfim, Dilma Rousseff.

O alvo do atentado no Aeroporto de Guararapes era o Marechal Costa e Silva. Uma bomba – acomodada em uma mala – foi plantada no saguão para fulminá-lo. O público aguardava para receber a autoridade. Porém, os alto-falantes do local anunciaram que, por causa de um problema técnico no avião, o Marechal faria o percurso de automóvel. Assim, as pessoas que o aguardavam começaram a deixar o Aeroporto – foi o que evitou uma tragédia ainda maior. Porque, logo depois de ser encontrada como um objeto perdido, a mala explodiu. Duas pessoas morreram e outras tantas ficaram feridas – amputações, lesões graves, queimaduras. A imolação macabra – quer dizer, “sagrada” na Hagiografia da inversão – pretendida pelo bem-aventurado Alípio foi assim consumada:











Mas, este não é o único legado do sacerdote da revolução. O Brasil deve louvar o bem-aventurado Alípio porque, graças a ele, o país tem duas congregações que o engrandecem: o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Quando esteve no presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, Alípio ministrou lições sapienciais aos presos comuns – técnicas de organização e de guerrilha. Deste grupo – que faria do “Oratório” de São Filipe Neri um perverso conciliábulo – foi fundada a “Falange Vermelha”. Porém, como o termo “falange” fazia remissão ao fascismo, era necessário estabelecer uma denominação que não deixasse dúvidas sobre a dignidade e nobreza da organização: “Comando Vermelho”. Como os presos de São Paulo conviviam com os do Rio de Janeiro, os frutos foram multiplicados posteriormente: em 1993 foi fundado o PCC (Primeiro Comando da Capital).

O bem-aventurado Alípio não passou pelas provações do deserto para realizar esta obra irrepreensível. Ele retirou para Cuba, onde, em 1961, realizou treinamento em guerrilha – além de meditar em Moscou, em 1962, no Congresso Mundial da Paz. Fatos que corroboram a iluminação espiritual de Alípio, pois ele se dedicou à “redemocratização” – inclusive atuando nas Ligas Camponesas - antes mesmo do maligno Regime Militar. Um espírito que se libertou dos grilhões da Igreja Católica para, enfim, se dedicar inteiramente ao sacerdócio da Revolução: o bem-aventurado Alípio foi um precursor da Teologia da Libertação, à qual se associou.

Por toda esta vida de renúncia, santidade e devoção – que inclui atentado terrorista, treinamento guerrilheiro, criação de organizações criminosas -, o bem-aventurado Alípio merece um lugar no altar da inversão, que será erguido pela “Comissão da Verdade”. E se os brasileiros ainda não se ajoelharam diante dele, pelo menos deram a Alípio a modesta contribuição de 700 mil reais [2], e recolhem para ele um dízimo de 6 mil mensais. Eis o bem-aventurado Alípio, que a “Comissão da Verdade” deve louvar na sua Hagiografia da inversão.


Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “Hagiografia da inversão” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/11/hagiografia-da-inversao.html].

[2]. O colunista Cláudio Humberto afirma que a generosidade é maior, 1,09 milhão.

Wednesday, November 21, 2012

A História nas mãos de um sacerdote da revolução.



Bruno Braga.



Claudio Fonteles assumirá temporariamente a coordenação dos trabalhos da Comissão da Verdade [1]. Assim, o grupo que propôs a consagração de sua própria Hagiografia – uma “Hagiografia da inversão” [2] – agora estará sob a direção espiritual de um sacerdote da revolução.

Durante a guerrilha, o convento dos padres de Conceição do Araguaia era utilizado como base para transmissões clandestinas de rádio, que deveriam alcançar a Albânia. Porém, os militares localizaram este núcleo operacional e, com o desmonte do equipamento, inviabilizaram a comunicação. Um dos religiosos que estava no convento protestou veementemente contra a intervenção: era Claudio Fonteles [3].

Já que a Comissão da Verdade irá investigar a atividade das igrejas – a Católica e as protestantes – “no apoio ao golpe e na repressão e também no da redemocratização” [4], o Sr. Fonteles – um dos sacerdotes da revolução – tem o dever de exemplificar a virtude em um testemunho honesto e sincero. O que ele estava fazendo no convento de Conceição do Araguaia? O Sr. Fonteles se recolheu apenas para orar? Ele estava efetivamente realizando o voto de renúncia em favor do divino? Por que ele protestou contra a interrupção das transmissões de rádio para a Albânia? A intervenção inviabilizou o seu trabalho de catequização? Ou ela interromperia o seu – e o de outros – sacerdócio da revolução? O que faziam certos padres e religiosos neste convento durante a guerrilha do Araguaia? Suplicavam pela graça divina em favor do braço armado da revolução?

Claudio Fonteles integrou a AP (Ação Popular), o grupo terrorista que nasceu do movimento revolucionário que pretendia instrumentalizar a Igreja Católica. O “bem-aventurado Alípio” foi um dos membros ilustres da organização. Ele que, além de outras obras de caridade e comiseração, foi o mentor intelectual do atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes, em 1966 [5].

Com a proposta de redigir uma Hagiografia própria, a Comissão da Verdade poderia consagrar a Claudio Fonteles um lugar no altar da inversão. Não apenas por suas obras do passado – como a elevada e bendita atividade no convento de Conceição do Araguaia. Também pela autodivinização de um poder que hoje ele tem nas mãos: coordenar o grupo encarregado de reescrever – ou melhor, falsificar – a História. Poder para condenar até mesmo a Igreja que ele assaltou para promover a revolução. Mentira, traição e ocultamento: as virtudes do sacerdócio da inversão.


Referências.


[2]. BRAGA, Bruno. “Hagiografia da inversão” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/11/hagiografia-da-inversao.html].

[3]. Cf. o depoimento do Coronel Lício Maciel, “Guerrilha do Araguaia – Relato de um combatente”.

[4]. Cf. referência [2].

[5]. BRAGA, Bruno. “O bem-aventurado Alípio” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/11/o-bem-aventurado-alipio.html].

Leitura sugerida.

BRAGA, Bruno. “Ainda sobre a Resolução” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/09/ainda-sobre-resolucao.html].

Monday, November 12, 2012

O bem-aventurado Alípio.



Bruno Braga.


Como a “Comissão da Verdade” decidiu redigir a sua própria Hagiografia – uma Hagiografia da inversão [1] -, seria louvável que ela dedicasse ao bem-aventurado Alípio de Freitas um lugar no seu altar. Uma glória para o padre que abandonou a Igreja Católica e viveu a santidade do sacerdócio revolucionário. Entre as suas benditas obras está a autoria intelectual do atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes em 1966, no Recife.

Durante anos o autor desta obra de piedade e comiseração permaneceu desconhecido. O bem-aventurado Alípio, certamente, imbuído do espírito da renúncia, não a assumiu para evitar que o reconhecimento público excitasse a sua vaidade - o que macularia o ato de tamanha virtude. No entanto, o comunista Jacob Gorender acabou revelando o mentor do gesto de generosidade, que a Hagiografia da inversão consagra com a insígnia de “redemocratização”:

Membro da comissão militar dirigente nacional da AP, Alípio de Freitas encontrava-se em Recife em meados de 1966, quando se anunciou a visita do general Costa e Silva, em campanha farsesca de candidato presidencial pelo partido governista Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Por conta própria Alípio decidiu promover uma aplicação realista dos ensinamentos sobre a técnica de atentados (GORENDER, “Combate nas trevas”) (o destaque é meu).

O executor da ideia iluminada do sacerdote revolucionário foi um militante da AP (Ação Popular), que posteriormente transferiu-se para outra organização terrorista, a VAR-Palmares – o grupo do qual participou “Estela”, quer dizer, “Luíza”, ou melhor, “Patrícia”, “Wanda”, enfim, Dilma Rousseff.

O alvo do atentado no Aeroporto de Guararapes era o Marechal Costa e Silva. Uma bomba – acomodada em uma mala – foi plantada no saguão para fulminá-lo. O público aguardava para receber a autoridade. Porém, os alto-falantes do local anunciaram que, por causa de um problema técnico no avião, o Marechal faria o percurso de automóvel. Assim, as pessoas que o aguardavam começaram a deixar o Aeroporto – foi o que evitou uma tragédia ainda maior. Porque, logo depois de ser encontrada como um objeto perdido, a mala explodiu. Duas pessoas morreram e outras tantas ficaram feridas – amputações, lesões graves, queimaduras. A imolação macabra – quer dizer, “sagrada” na Hagiografia da inversão – pretendida pelo bem-aventurado Alípio foi assim consumada:











Mas, este não é o único legado do sacerdote da revolução. O Brasil deve louvar o bem-aventurado Alípio porque, graças a ele, o país tem duas congregações que o engrandecem: o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Quando esteve no presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, Alípio ministrou lições sapienciais aos presos comuns – técnicas de organização e de guerrilha. Deste grupo – que faria do “Oratório” de São Filipe Neri um perverso conciliábulo – foi fundada a “Falange Vermelha”. Porém, como o termo “falange” fazia remissão ao fascismo, era necessário estabelecer uma denominação que não deixasse dúvidas sobre a dignidade e nobreza da organização: “Comando Vermelho”. Como os presos de São Paulo conviviam com os do Rio de Janeiro, os frutos foram multiplicados posteriormente: em 1993 foi fundado o PCC (Primeiro Comando da Capital).

O bem-aventurado Alípio não passou pelas provações do deserto para realizar esta obra irrepreensível. Ele retirou para Cuba, onde, em 1961, realizou treinamento em guerrilha – além de meditar em Moscou, em 1962, no Congresso Mundial da Paz. Fatos que corroboram a iluminação espiritual de Alípio, pois ele se dedicou à “redemocratização” – inclusive atuando nas Ligas Camponesas - antes mesmo do maligno Regime Militar. Um espírito que se libertou dos grilhões da Igreja Católica para, enfim, se dedicar inteiramente ao sacerdócio da Revolução: o bem-aventurado Alípio foi um precursor da Teologia da Libertação, à qual se associou.

Por toda esta vida de renúncia, santidade e devoção – que inclui atentado terrorista, treinamento guerrilheiro, criação de organizações criminosas -, o bem-aventurado Alípio merece um lugar no altar da inversão, que será erguido pela “Comissão da Verdade”. E se os brasileiros ainda não se ajoelharam diante dele, pelo menos deram a Alípio a modesta contribuição de 700 mil reais [2], e recolhem para ele um dízimo de 6 mil mensais. Eis o bem-aventurado Alípio, que a “Comissão da Verdade” deve louvar na sua Hagiografia da inversão.


Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “Hagiografia da inversão” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/11/hagiografia-da-inversao.html].

[2]. O colunista Cláudio Humberto afirma que a generosidade é maior, 1,09 milhão.

Friday, November 09, 2012

Hagiografia da inversão.

Bruno Braga.
A Comissão da Verdade anunciou que um grupo de trabalho se dedicará à confecção de um relatório sobre a atuação das igrejas – católica e protestantes – “no apoio ao golpe e na repressão e também no da redemocratização” [1]. Em outras palavras, ao seu conjunto de falsificações, a Comissão pretende acrescentar a sua própria hagiografia: santificar os padres e pastores “progressistas”, colocando-os no altar da adoração, e consagrar a Teologia Comunista da Libertação.

Esta hagiografia, no entanto, está fundada no ocultamento e na inversão. Ela omite o projeto revolucionário que pretendia implantar um regime comunista de tipo cubano-soviético-chinês no Brasil; e, automaticamente, denuncia como “golpistas” os religiosos – inclusive os leigos – que se opuseram a ele.

Além disso, a proposta da Comissão da Verdade, no caso específico da Igreja Católica, é uma condenação. Uma sentença que retroage ao passado, quando ela se colocou contra o assalto comunista; e funciona como uma advertência, para constrangê-la a não criticar os revolucionários, que hoje estão no poder e gerenciam o grupo encarregado de falsificar a História. Isto porque a Igreja preserva a oposição ao Comunismo, como esclareceu o Santo Ofício em um documento de 1949, ainda vigente:

1. É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?
Resposta. Não. O comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.
[...]
4. Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que as defendem e propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?
Resposta. Sim. [2].

Nestes termos, a proposta do grupo de Maria Rita Kehl é também uma censura da própria fé católica.

Para a Comissão da Verdade – quer dizer, da Mentira – os fiéis deveriam assistir passivamente a tomada do país pelos comunistas, patrocinados por regimes nos quais os católicos tinham duas opções, renunciar a fé ou ser fuzilado: eles optaram por morrer gritando “Viva Cristo Rey!”.

A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” teria sido um ato criminoso - e um escândalo obsceno quando no Rio de Janeiro ela reuniu um milhão de pessoas para reconhecer a intervenção militar contra o Comunismo.

Para a Comissão da Falsidade, a Igreja Católica deveria assistir a sua própria corrupção pela Teologia Revolucionária da Libertação. O grupo excomungaria, inclusive, o próprio Papa João Paulo II, que lutou contra o Comunismo e se esforçou para combater os teólogos revolucionários. Os católicos não poderiam assistir à repreensão pública que o Papa fez a Ernesto Cardenal, o padre da Libertação nicaraguense, que fantasiado de Che Guevara se engrandecia apenas com um fuzil na mão:



Enfim, se a inversão é um traço fundamental do culto macabro – algo que o Rev. Richard Wurmbrand, flagelado no cárcere comunista, identificou no Marxismo –, é ela que molha a pena da hagiografia pretendida pela Comissão da Mentira.


Referências.


[2]. Cf. BRAGA, Bruno. "Um alerta aos católicos" [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/05/um-alerta-aos-catolicos.html].

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A canonização estatal de Marighella


marighelapcdobAnistiar Carlos Marighella e chamá-lo de “herói” é, no mínimo, uma ofensa terrível a todos aqueles que perderam seus bens, sua saúde e, em última instância, suas vidas em virtude da sanguinária sede de poder das hostes marxistas.


“Todos nós somos guerrilheiros, terroristas e assaltantes e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução.”


Essa frase é bastante conhecida e mostra um pouco do caráter de quem a escreve: Carlos Marighella. Membro da Executiva do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que abandonou em 1966 por achar que o partido estava traindo o sacrossanto dever que todo comunista tem de fazer a revolução, Marighella fundou a Aliança Libertadora Nacional (ALN), um dos grupos mais cruéis da guerrilha marxista brasileira que atuou durante o Regime Militar (1964 – 1985). A ALN foi responsável por assaltos, sequestros, atentados a bomba e diversos assassinatos. Seu objetivo era claro: instaurar uma ditadura marxista-leninista em território brasileiro.

Ainda que ele mesmo se assumisse guerrilheiro, terrorista e assaltante, não é essa a visão que o governo federal tem. O Diário Oficial da União do dia 9 de novembro deste ano traz a seguinte portaria:
PORTARIA Nº 2.780, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2012
O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais, com fulcro no artigo 10 da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, publicada no Diário Oficial de 14 de novembro de 2002 e considerando o resultado do julgamento proferido pela Comissão de Anistia na 6ª Sessão de Julgamento da Caravana de Anistia, na cidade de Salvador/BA, realizada no dia 05 de dezembro de 2011, no Requerimento de Anistia nº 2011.01.70225, resolve:

Declarar CARLOS MARIGHELLA filho de MARIA RITA DO NASCIMENTO MARIGHELLA, anistiado político “
post mortem”, nos termos do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002.
JOSÉ EDUARDO CARDOZO

Somente isso já seria suficiente para causar uma profunda indignação em qualquer pessoa com mínimo conhecimento da nossa história. No entanto, o blog do Ministério da Justiça – um veículo oficial de comunicação desse órgão do Executivo – fez questão de colocar uma cereja nesse bolo: chamou Marighella de “herói da resistência à ditadura militar”.

A organização fundada e dirigida por esse “herói” foi responsável por bárbaros crimes. Em 22 de junho de 1969, por exemplo, guerrilheiros da ALN atacaram os policiais militares Guido Boné e Natalino Amaro Teixeira: a viatura em que estavam foi incendiada, e os ambos morreram carbonizados. Em outra ocorrência, datada de 3 de setembro do mesmo ano, o comerciário José Getúlio Borba, que trabalhava em uma loja de aparelhos eletrodomésticos, foi morto por guerrilheiros que reagiram a voz de prisão. E, ao contrário de serem casos isolados, essas ocorrências fazem parte da própria essência da bandeira que Carlos Marighella empunhou durante toda sua vida: a da ditadura do proletariado.

A alegação de que aqueles que pegaram em armas contra o governo militar objetivavam a “redemocratização” do Brasil é empulhação pura e simples, e todos estão cansados de saber disso. No entanto, o óbvio ululante se tornou hoje em dia do fruto de uma hermenêutica deturpada, o que gera uma visão distorcida das coisas. Essa lógica produz inferências interessantes: 1) o governo militar foi algo ontologicamente pérfido e vil; 2) o contrário do governo militar é a democracia; 3) se alguém lutou de alguma forma contra o governo militar, era porque só tinha em mente a “restauração” do regime democrático; 4) a luta armada só surgiu em face da violência do regime, e foi, portanto, tão-somente uma característica acidental (e uma reação legítima) da luta contra o governo militar.

Se não é suficiente interpretar os atos criminosos de Marighella e seus camaradas como o que realmente foram – ações cruentas e desprezíveis que visavam à transformação do Brasil em uma ditadura comunista –, então recorramos às próprias palavras de Marighella.

Quando o fundador da ALN rompeu oficialmente com o PCB, em 1966, alegou que o partido estava traindo os ideais revolucionários que herdara ao supostamente defender uma via pacífica de ação:

Em vez de uma tática e estratégia revolucionárias, tudo é reduzido – aberta ou veladamente – a uma impossível e inaceitável saída pacífica, a uma ilusória redemocratização (imprópria até no termo).

Parece não se ter compreendido Lênin quando em “Duas Táticas” afirma que “os grandes problemas da vida dos povos se resolvem somente pela força”.
Em outra parte, falando sobre a vitória, acrescenta Lênin que esta “deverá apoiar-se inevitavelmente na força armada das massas, na insurreição”, e não em tais ou quais instituições criadas “por via legal” e “pacífica”.
[1]
A violência não era uma deturpação da oposição ao regime militar oriunda do medo e do desespero gerados pela repressão: a violência era a manifestação mais honesta e clara do espírito revolucionário. Marighella não apenas o admitiu claramente, mas invocou-o como um dos motivos pelos quais estava abandonando o PCB e seguindo um caminho próprio.

Ao fundar o Agrupamento Comunista de São Paulo, que depois se tornaria a ALN, Marighella deixa ainda mais evidente que a violência guerrilheira é a própria essência de seu afã revolucionário:

Pensamos sobre a guerrilha o mesmo que a Conferência da OLAS [Organização Latino-Americana de Solidariedade] quando, no ponto 10 de sua “Declaração Geral”, apresenta a guerrilha como embrião dos Exércitos de Libertação e como método mais eficaz para iniciar e desenvolver a luta revolucionária na maioria dos países latino-americanos.

Não se trata, portanto, de desencadear a guerrilha como um foco, como querem insinuar nossos inimigos, acusando-nos daquilo que não pretendemos fazer.

O foco seria lançar um grupo de homens armados em qualquer parte do Brasil, e esperar que, em consequência disso, surgissem outros focos em pontos diferentes do país. Se assim fizéssemos, estaríamos adotando uma posição tipicamente espontaneísta e o erro seria fatal.

Para nós, a guerrilha brasileira não terá condições de vitória senão como parte de um plano estratégico e tático global.

Isto quer dizer que a guerrilha exige preparação e que o seu desencadeamento depende dessa preparação. A preparação da guerrilha, coisa muito complexa e muito séria, não pode ser vista com leviandade. Tal preparação exige o adestramento do combatente, a coleta de armas, a escolha do terreno, a fixação da estratégia e da tática a seguir, e, por fim, o estabelecimento do plano de apoio logístico.
[2]

A guerrilha não é, portanto, apenas um recurso extremo utilizado em casos excepcionais: para Marighella, “a guerrilha é a vanguarda revolucionária, o seu núcleo fundamental, e constitui o centro do trabalho dos comunistas e demais patriotas”. Não é possível revolução sem ação revolucionária, e esta se apóia essencialmente na violência. Mais adiante, escreve Marighella:
Precisamos agora de uma organização clandestina, pequena, bem estruturada, flexível, móvel. Uma organização de vanguarda para agir, para praticar a ação revolucionária constante e diária, e não para permanecer em discussões e reuniões intermináveis.

Uma organização vigilante, severa contra os delatores, aplicando os métodos de segurança eficientes para evitar que venha a ser destroçada pela polícia e para impedir a infiltração do inimigo.

Os membros desta organização são homens e mulheres decididos a fazer a revolução. Os comunistas de tal organização são companheiros e companheiras de espírito de iniciativa, livres de qualquer espírito burocrático e rotineiro, que não esperam pelos chamados assistentes, nem ficam de braços cruzados aguardando ordens.

Ninguém é obrigado a pertencer a esta organização. Os que a aceitam, tal como ela é e dela vêm fazer parte, só o fazem voluntariamente, só querem ter compromissos com a revolução.
[3]

Não havia santos. Não havia inocentes. As coisas sempre, desde o começo, foram colocadas de maneira clara, claríssima: acreditamos na violência, abraçamo-la como um modus vivendi, deixamo-la penetrar em cada um de nossos poros e a ela nos entregamos de corpo e alma sem pressões, voluntária e deliberadamente. Em outro documento, Marighella repisa a defesa da violência:

As organizações revolucionárias que se dedicaram ao proselitismo no transcurso de 1968 não conseguiram avançar. A outra maneira do crescimento das organizações revolucionárias rejeita o proselitismo e dá ênfase ao desencadeamento das ações revolucionárias, apelando para a violência extrema e o radicalismo.

Foi esta a maneira que preferimos, por ser a mais convincente, quando se trata de derrubar a ditadura com a força das massas e através da luta armada, repudiando o jogo político das personalidades e grupos burgueses.

Quando utilizamos o método da ação revolucionária, os elementos que vêm às nossas fileiras só o fazem porque desejam lutar e sabem que não encontrarão outra alternativa entre nós senão a luta prática e concreta.

Sendo o nosso caminho o da violência, do radicalismo e do terrorismo (as únicas armas que podem ser antepostas com eficiência à violência inominável da ditadura) os que afluem à nossa organização não virão enganados, e sim, atraídos pela violência que nos caracteriza.
[4]
Não havia perspectiva de nada parecido com democracia nas táticas, nas ações e nos planos estratégicos de Marighella. Ele não foi um lutador da liberdade, alguém que dedicou sua vida a uma causa nobre, elevada: Marighella foi um facínora, um homem que aspirava “à tomada do poder pela violência da guerra revolucionária”.

chandler
Cap. Charles Rodney Chandler, uma das vítimas
dos “heróis” incensados pelo governo.
Anistiar Carlos Marighella e chamá-lo de “herói” é, no mínimo, uma ofensa terrível a todos aqueles que perderam seus bens, sua saúde e, em última instância, suas vidas em virtude da sanguinária sede de poder das hostes marxistas. Com esse gesto, o governo brasileiro indica perfeitamente quem deve compor o panteão de heróis da nação: “guerrilheiros, terroristas e assaltantes”, homens devotados ao coletivismo ditatorial, à supressão da liberdade, à perseguição, à barbárie, à morte, homens que pavimentaram com os crânios de inocentes seu caminho revolucionário.


Notas:

[1] “Carta à Executiva”, 1º de dezembro de 1966. In: Escritos de Carlos Marighella. São Paulo: Editorial Livramento, 1979, p. 93.

[2] “Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo”, 1968. In: Escritos de Carlos Marighella. São Paulo: Editorial Livramento, 1979, p. 132.

[3] “Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo”, 1968. In: Escritos de Carlos Marighella. São Paulo: Editorial Livramento, 1979, p. 133-134.

[4] “O Papel da Ação Revolucionária na Organização”, maio de 1968. In: REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA DE SÁ, Jair (Org.). Imagens da Revolução: Documentos políticos das organizações clandestinas de esquerda dos anos 1961 – 1971. Rio de Janeiro: Editora Marco Zero, 1985, p. 212.


Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UnB.